Cuidar de uma Criança: Pais vs Educadora
De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998), cuidar de uma criança vai mais além do que os cuidados da sua higiene, proteção e alimentação sendo também necessário, brincar, educar, valorizar e ajudar a desenvolver capacidades.
Cuidar é mais que um ato, é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afectivo com o outro.
Todas as formas de cuidado são essenciais para a criança pequena, já que é por meio do outro, daquele que dela cuida, que tomará contato com suas primeiras impressões sobre o mundo, experimentando sensações agradáveis ou desagradáveis.
Este ato de cuidar, parte do princípio básico de que a criança precisa ser rodeada de afeto, respeitada em suas diversas necessidades e que a separação mãe-bebê pode gerar sofrimentos e dificuldades no estabelecimento de novas relações.
Contudo, com o dia-a-dia atribulado, a maioria dos pais têm necessidade de procurar um profissional para acompanhar os seus filhos nas suas ausências. Seja uma babysitter, ama ou nanny, entre os recursos utilizados pelo educador na educação infantil para valorizar e desenvolver capacidades, a brincadeira é tida como um mecanismo muito importante no universo infantil.
Assim, contar uma historinha e trocar as fraldas de um bebê são atividades complementares. A hora do banho, por exemplo, pode servir ao interesse pedagógico/educativo de reconhecer as partes do corpo, mas também pode ser um intenso momento de prazer, de sentir a água batendo no corpo, de estar limpo, de estar sem roupa, livre.
Entendendo que o cuidado possui componentes racionais e cognitivos e que, dessa forma, pode ser construído em processos formativos, e considerando que a afetividade está contida no cuidado, podemos afirmar que também ela pode ser construída, aprendida, de modo que este atributo não pode ser considerado natural, um dom de algumas pessoas.
Desta forma, encontrar um profissional apto a cuidar de bebés e crianças e que se enquadre no seio familiar não é fácil.
Porém quando muitos pais encontram uma babysitter, ama ou nanny adequada, competente e com experiência, acabam delegando nela a responsabilidade de cuidar e prover a educação da criança.
Contudo é fundamental a consciencialização da importância do papel dos pais e como eles podem cooperar mutuamente com a educadora para o desenvolvimento da criança.
Para tal, as funções da babysitter, ama ou nanny devem ser bem definidas, de modo a que a figura de autoridade e responsável pela educação da criança em casa (que deve ser a dos pais) não seja substituída pela da cuidadora/educadora.
Estabeleça as obrigações da profissional, pelo menos até o seu filho ter os 6 anos de idade, quando os cuidados são redobrados. A partir dos 7 anos da criança, a educadora já pode participar da organização da agenda e da rotina das crianças, da alimentação, da ida à escola e de outros compromissos. Peça-lhe também um feedback sobre seus filhos. Esse diálogo é importante para manter um relacionamento saudável com a pessoa que estará presente no dia a dia dos seus filhos.
Contudo, não delegue as suas obrigações como pai e mãe. A babysitter, ama ou nanny oferecerá o suporte que você precisa para conciliar a sua rotina de trabalho e suas obrigações familiares, porém não pode exercê-las por você. A função delas é dar suporte nos cuidados com as crianças, e não educá-las.
Ao tercerizar a educação, a interacção entre pais e filhos não acontece e o desenvolvimento social e emocional das crianças, que deveria ser saudável e estimulado constantemente, dificulta a criação de vínculos afetivos.
Por isso, não abra mão de educar. Esses momentos são oportunidades de trocas de carinho e amor que irá determinar como eles serão futuramente no papel de pais por meio das transmissões de hábitos, valores e conhecimentos que você e seu marido compartilham. O papel dos pais influencia directamente a forma como a criança vê o mundo e se relaciona com outras pessoas.
Mesmo com uma agenda atribulada, converse com os restantes elementos da família e, juntos, decidam como todos vão participar da vida das crianças. Estipulem actividades corriqueiras e simples nas quais a família esteja presente, como ajudar nas tarefas de casa, ler uma história para antes de dormir ou estar presente na hora das refeições mostram que ambos os pais se importam afectivamente e que eles terão sempre uma referência a seguir.
Contar com o auxílio de uma babysitter é um privilégio. Contudo, é de extrema importância que elas proporcionem uma experiência pedagógica dentro de casa, ajudando a família com toda a assistência necessária. Desta forma, é essencial contratar uma ama que possua experiência, formação, conhecimento e vocação de quem educa e cuida.
Invista em babysitters, amas ou nannys com vocação e formação e trate-as como um profissionais pois esta é uma relação fundamental para si e para o seu filho. Um profissional insatisfeito e ressentido não será o tipo de pessoa que deseja para cuidar do seu filho. Visto que as crianças precisam de estabilidade, é do seu interesse garantir que a pessoa que cuidará do seu filho tenciona continuar neste trabalho.
As pessoas com uma boa formação compreendem como é que as crianças se desenvolvem e podem satisfazer melhor as suas necessidades. Também tendem a ser mais “intencionais”. Isto significa que aqueles que se preocupam em aprender como é que as crianças crescem, pensam em fomentar o desenvolvimento do seu filho.
Conte com um período de transição, pois talvez o seu filho se sinta ansioso ao princípio e se demonstre apegado a si durante um tempo, mas isso deverá passar no espaço de algumas semanas. Se notar sinais de depressão, de medo ou de ansiedade intensa e se suspeitar que alguma coisa não bate certo, não espere para agir. Descubra o que se passa e tente melhorar a situação. Se precisar de mudar de planos, faça-o.
Os bons cuidados e a educação de qualidade podem ser um apoio para si e uma experiência maravilhosa para o seu filho.